A prática da caridade na Quaresma

O apelo fundamental dos cristãos à caridade é um tema frequente dos Evangelhos. Durante a Quaresma, somos solicitados a nos concentrarmos mais na "esmola", que significa doar dinheiro ou bens aos pobres e realizar outros atos de caridade. Como um dos três pilares da prática quaresmal, a esmola é a prática do nosso amor aos nossos irmãos e uma ação agradável a Deus.


Podemos entender a esmola como uma forma de oração e jejum, pois ofertando ao próximo, ofertamos a Deus. E ofertando de forma sacrificial - não apenas dando algo, mas abrindo mão de alguma coisa que lhe faça falta – exercemos certo tipo de jejum, daquilo que nos é caro materialmente, por exemplo. Jesus apresentou a esmola como uma parte necessária da vida cristã:


"Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu garanto que eles já receberam sua plena recompensa. Mas, quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará.” Mateus, 6:2-4.

Assim, ao longo da história, muitos cristãos têm usado a prática do Antigo Testamento de "dízimo" como um guia, isto é, eles dão um décimo de sua renda "a Deus". Na prática, isso significa doá-lo aos pobres, à paróquia ou a instituições de caridade. Entretanto, não podemos nos isentar de refletir sobre o padrão de vida que temos hoje. Há muitas pessoas que podem usufruir de ar-condicionado, luz elétrica, alimentos e água consistentemente seguros, antibióticos e uma tecnologia medicinal avançada, luxos além dos sonhos de nossos ancestrais, ou até mesmo de duas gerações anteriores a nossa. Dessa forma é justo e necessário refletirmos: Se estamos vivendo bem, será que estamos dando bem?


É uma boa pergunta para nos fazermos durante a Quaresma. Afinal, é um escândalo para os cristãos ter armários entupidos de roupas quando há famílias que estão tremendo de frio na rua. É um escândalo para os cristãos estarem epidemicamente acima do peso quando há vizinhos próximos que vão para a cama com fome.


Precisamos dar a Deus - a quem encontramos em nosso semelhante – de modo que possamos aliviar o desconforto daqueles que sofrem e perecem nas ruas, nos asilos, em orfanatos. Bem se sabe que esses problemas não desaparecerão somente com nossos atos caridosos, que o sistema de governança mundial é complexo e injusto, mas é pelo excesso de pequenos atos que podemos almejar uma grande ação e contagiar a todos com o sentimento da caridade, do fazer o bem ao próximo.


“Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me rece­bestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’. Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar? Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” Mateus, 25:35-40.

Portanto, tudo o que dermos, seja um décimo, um vigésimo ou metade, é um símbolo da doação maior que define a vida cristã. Assim como Deus se deu inteiramente a nós, nós nos entregamos inteiramente a Ele. Na Eucaristia, Ele não retém nada. Ele nos dá Seu corpo, sangue, alma e divindade - tudo o que Ele tem. Esse é o dar que precisamos imitar.

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