As representações artísticas da Virgem Maria na Idade Média

A Virgem Maria em representações bizantinas:


A Virgem Maria, conhecida como Theotokos na terminologia grega, era fundamental para a espiritualidade bizantina como uma de suas figuras religiosas mais importantes. Como mediadora entre a humanidade sofredora e Cristo e a protetora de Constantinopla, ela era amplamente venerada. A Virgem é tema de importantes hinos litúrgicos, como o Hino Akathistos, cantado na festa da Anunciação (25 de março) e durante a Quaresma. As representações artísticas narrativas da mãe de Cristo enfocam sua concepção e

infância ou sua Koimesis (sua Dormição ou sono eterno). A maioria das imagens da Virgem enfatiza seu papel como Mãe de Cristo, mostrando-a de pé e segurando seu filho. (Imagem: Raphael. Basílica de São Pedro, 1513).

A maneira como a Virgem segura Cristo é muito particular. Certas poses desenvolveram-se em “tipos” que se tornaram nomes de santuários ou epítetos poéticos. Assim, um ícone da Virgem pretendia representar a sua imagem e, ao mesmo tempo, a réplica de um famoso ícone original. Por exemplo, a Virgem Hodegetria é uma representação popular da Virgem em que ela segura Cristo em seu braço esquerdo e gesticula em direção a ele com sua mão direita, mostrando que ele é o caminho para a salvação. O nome Hodegetria vem do Mosteiro de Hodegon em Constantinopla, no qual o ícone que mostra a Virgem nessa posição particular residia pelo menos desde o século XII em diante, agindo para proteger a cidade.


Um tipo posterior é o da Virgem Eleousa, que se imagina derivado da Virgem Hodegetria. Este tipo representa o lado compassivo da Virgem. Ela é mostrada curvando-se para tocar sua bochecha na bochecha de seu filho, que retribui essa afeição colocando o braço em volta do pescoço dela. Imagens bizantinas da Virgem foram adotadas no Ocidente. Por exemplo, as primeiras pinturas holandesas como a Virgem e o Menino, do Mestre da Lenda de Santa Úrsula, e a Virgem e o Menino, de Dieric Bouts, revelam um interesse nas representações bizantinas de Theotokos.


A Virgem Maria nas representações ocidentais:


A maioria dos tipos ocidentais da imagem da Virgem, como o "Trono da Sabedoria", do século XII da França central, em que o Menino Jesus é apresentado frontalmente como a soma da sabedoria divina, parece ter se originado em Bizâncio. Os modelos bizantinos foram amplamente distribuídos na Europa Ocidental no século VII. Os séculos XII e XIII testemunharam um crescimento extraordinário do culto à Virgem na Europa ocidental, em parte inspirado nos escritos de teólogos como São Bernardo de Clairvaux (1090–1153), que a identificou como a noiva do Cântico dos Cânticos no Antigo Testamento. A Virgem foi adorada como Noiva de Cristo, Personificação da Igreja, Rainha do Céu e Intercessora para a salvação da humanidade. Este movimento encontrou sua maior expressão nas catedrais francesas, muitas vezes dedicadas a “Nossa Senhora”, e muitas cidades, como Siena, colocaram-se sob sua proteção.













Michelangelo's Pietà, 1498 Filippo Lippi, 1459


A Virgem Maria no final da Idade Média:

As imagens hieráticas do período românico, que enfatizam o aspecto régio de Maria, deram lugar na era gótica a representações mais ternas enfatizando a relação entre mãe e filho.

A Vierge Ouvrante do início do século XIV de Colônia articula seu papel na salvação cristã. Quando fechada, a escultura com dobradiças representa a Virgem amamentando o Menino Jesus, que segura a pomba do Espírito Santo. Sua vestimenta se abre, como as asas de um tríptico, para revelar em seu corpo a figura de Deus Pai. Ele segura a cruz, feita de dois troncos de árvore, da qual está pendurada a figura de Cristo, agora desaparecida. As asas laterais são pintadas com cenas da infância ou Encarnação de Cristo, ou seja, a encarnação de Deus Filho em carne humana.

Aqui abaixo podemos ver também as representações de Maria já no início do século II e ao final do século XIX. Não importa em que tempo estejamos, a imagem da Mãe de Cristo sempre será eternizada por todas as artes e em nossos corações.
















O primeiro afresco da Virgem Maria, Mikhail Nesterov, Russia, séc.XIX

na catacumba de Priscila,Roma, meados

do século II

Imagem de capa: Cestello Annunciation porBotticelli, 1490.

Texto: Tradução e adaptação de “The Cult of the Virgin Mary in the Middle Ages.” In Heilbrunn Timeline of Art History. New York: The Metropolitan Museum of Art, 2000.






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