A História do Leigo na Igreja


Por Helia Collota

Pastoral do Acolhimento


Neste próximo dia 26 de novembro de 2018 se encerra o ano nacional do laicato. O magistério da igreja tanto em nível universal como nacional, publicou nas últimas décadas preciosos documentos sobre a vocação e a missão dos cristãos leigos. A nível nacional o último documento fala sobre os cristãos leigos e leigas na igreja e na sociedade (doc 115) e tem como ponto de referência a Doutrina do Concílio Ecumênico Vaticano II. A origem da missão da igreja é o mandato missionário de Jesus: “Ide, fazei discípulos todas as nações” (Mt 28, 19).


A palavra leigo vem do grego “Laikós”, que vem de “Laós”, que significa povo. Esta palavra como a conhecemos hoje, não aparece no Novo Testamento, onde se encontra como referência aos leigos apenas a palavra “eleitos “. Uma curiosidade sobre o que significava leigo na época do Novo Testamento: os leigos eram os membros do povo por oposição aos governantes, incultos, analfabetos (pois não entendiam o latim) e sem acesso à Bíblia (nada que ver com a realidade dos leigos atuais). A palavra “leigo” só aparece pela 1ª vez na carta de São Clemente Romano aos Coríntios no ano de 95 d.C. A partir do século II a palavra leigo passa a ser mais frequente na literatura cristã. Os leigos eram então fiéis que não pertenciam à hierarquia da igreja. Sendo do povo, representavam o pecado e para a igreja estavam distanciados de Deus. Havia uma grande divisão entre igreja e leigo, sendo este definido de forma negativa e não pertencente ao clero.


O século III é que vai marcar uma mudança significativa do termo leigo com Tertuliano (primeiro autor cristão a redigir uma obra literária em latim – e Pai da Doutrina ortodoxa da Trindade e pessoa de Jesus Cristo) que afirma “é dos leigos que provém a hierarquia da igreja, que devem ser puros, como os membros do clero e obedecer as mesmas leis que estes”. Tertuliano admite que em casos de necessidade, leigos podem exercer temporariamente funções sacerdotais.


Foi, no entanto, no século V que se estabeleceu a grande divisão entre clérigo, monge e leigo e que permanece até hoje praticamente. Porém, muitos séculos se passaram até que o leigo tivesse sua função plenamente definida na Igreja Católica e só a partir de 1968, no Concílio do Vaticano II, através de uma forte ingerência do Espírito Santo sobre o Papa João XXIII, é que essas mudanças se estabeleceram verdadeiramente. A partir daí surge um novo estilo de colaboração entre sacerdotes, religiosos e leigos.


A responsabilidade dos cristãos leigos na igreja-missão acontece uma vez que a comunhão é missionária e a missão é para a comunhão. A participação dos leigos na igreja católica mudou consideravelmente através de sua atuação na Liturgia, na Palavra, na catequese, na multiplicidade de serviços, incluindo administrativos, criação de associações, pastorais, maior participação das mulheres na vida cristã, na parte cultural, nas comunicações paroquianas, nos eventos culturais, na música e etc... A igreja hoje não pode prescindir do leigo no seu dia a dia.


Evangelli Nuntiandi (dez 1975 – Paulo VI) é o primeiro documento que menciona o leigo e como deve ser sua vocação como se fosse um fermento, evangelizando as estruturas por meio de sua profissão e em todos os campos culturais que deve estar unido à igreja, como um missionário, em comunhão com a hierarquia e o clero.


Bibliografia:

KUZMA – Leigos e Leigas – Pág 53

ALMEIDA J. Uma abordagem histórica- Leigos em que?

BENI DOS SANTOS – Benedito, Dom (Bispo emérito de Lorena) – Vocação e Missão dos cristãos leigos hoje – Ed Canção Nova - 2018

Revista de Cultura Teológica V 19- nº 74 Abr/Jun de 2011

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