Objetivos do processo sinodal

Você sabe que a Igreja Católica está realizando um Sínodo?


No post anterior explicamos o que é Sínodo. Hoje vamos descobrir quais são os objetivos do Sínodo 2021-2023.


A Igreja reconhece que a sinodalidade é parte integrante da sua verdadeira natureza. Ser Igreja sinodal exprime-se nos Concílios ecuménicos, nos Sínodos dos Bispos, nos Sínodos diocesanos e nos conselhos diocesanos e paroquiais. Há muitas maneiras pelas quais já experimentamos formas de “sinodalidade” pela Igreja fora. No entanto, ser Igreja sinodal não se limita a estas instituições já existentes. De facto, a sinodalidade não é tanto um acontecimento ou um slogan, mas um estilo e uma forma de ser pela qual a Igreja vive a sua missão no mundo. A missão da Igreja exige que todo o Povo de Deus esteja num caminho em conjunto, com cada membro a desempenhar o seu papel crucial, unidos uns aos outros. Uma Igreja sinodal caminha em comunhão para prosseguir uma missão comum através da participação de cada um dos seus membros. O objetivo deste Processo Sinodal não é proporcionar uma experiência temporária ou única de sinodalidade, mas proporcionar uma oportunidade para todo o Povo de Deus discernir em conjunto como progredir no caminho para ser uma Igreja mais sinodal a longo prazo.


Um dos frutos do Concílio Vaticano II foi a instituição do Sínodo dos Bispos. Embora o Sínodo dos Bispos se tenha realizado até agora como uma reunião de bispos com e sob a autoridade do Papa, a Igreja apercebe-se cada vez mais de que a sinodalidade é o caminho para todo o Povo de Deus. Assim, o Processo Sinodal já não é apenas uma assembleia de bispos, mas um caminho para todos os fiéis, na qual cada Igreja local tem um papel integral a desempenhar. O Concílio Vaticano II revigorou a sensação de que todos os batizados, tanto a hierarquia como os leigos, são chamados a ser participantes ativos na missão salvífica da Igreja (LG 32-33). Os fiéis receberam o Espírito Santo no batismo e na confirmação e estão dotados de diferentes dons e carismas para a renovação e edificação da Igreja, como membros do Corpo de Cristo. Assim, a autoridade pedagógica do Papa e dos bispos está em diálogo com o sensus fidelium, a voz viva do Povo de Deus. O caminho da sinodalidade procura tomar decisões pastorais que reflitam ao máximo possível a vontade de Deus, fundamentando-as na voz viva do Povo de Deus. Note-se que a colaboração com teólogos – leigos, ministros ordenados e religiosos – pode ser um apoio útil para articular a voz do Povo de Deus que exprime a realidade da fé com base na experiência vivida.


Se os Sínodos mais recentes examinaram temas como a Nova Evangelização, a Família, os Jovens e a Amazónia, este Sínodo concentra-se no tema da sinodalidade em si mesma.


O atual Processo Sinodal que estamos a empreender é orientado por uma questão fundamental: Como é que este "caminhar juntos" tem lugar, hoje, a diferentes níveis (desde o local ao universal), permitindo que a Igreja anuncie o Evangelho? E quais os passos que o Espírito nos convida a dar para crescermos como Igreja sinodal? (DP 2).


Nesta perspetiva, o objetivo do atual Sínodo é escutar, como todo o Povo de Deus, o que o Espírito Santo está a dizer à Igreja. Fazemo-lo escutando juntos a Palavra de Deus na Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja e, depois, escutando-nos uns aos outros e especialmente aos que estão à margem, discernindo os sinais dos tempos. De facto, todo o Processo Sinodal visa promover uma experiência vivida de discernimento, participação e corresponsabilidade, onde se reúne uma diversidade de dons para a missão da Igreja no mundo.


Neste sentido, é evidente que o objetivo deste Sínodo não é produzir mais documentos. Pelo contrário, destina-se a inspirar as pessoas a sonhar com a Igreja que somos chamados a ser, a fazer florescer as esperanças das pessoas, a estimular a confiança, a vendar as feridas, a tecer relações novas e mais profundas, a aprender uns com os outros, a construir pontes, a iluminar mentes, a aquecer corações e a dar força de novo às nossas mãos para a nossa missão comum (DP, 32). Assim, o objetivo deste Processo Sinodal não é apenas fazer uma série de exercícios que começam e param, mas um caminho de crescimento autêntico rumo à comunhão e à missão que Deus chama a Igreja a viver no terceiro milênio.


Este caminho em conjunto será um chamamento a renovar as nossas mentalidades e as nossas estruturas eclesiais, a fim de vivermos o chamamento que Deus faz à Igreja por entre os atuais sinais dos tempos. Escutar todo o Povo de Deus ajudará a Igreja a tomar decisões pastorais que correspondam o mais possível à vontade de Deus. A perspetiva última que orienta este caminho sinodal da Igreja é servir o diálogo de Deus com a humanidade (DV 2) e caminhar juntos pelo Reino de Deus (cf. LG 9; RM 20). No final, este Processo Sinodal procura avançar para uma Igreja que seja mais frutuosa ao serviço da vinda do Reino dos Céus.


(Fonte: Vademecum para o Sínodo sobre a Sinodalidade)

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