Semana Bíblica - Carta aos Hebreus

Por Terço nas Residências e Idade Viva


Apresentação:


A Carta aos Hebreus é uma leitura fundamental para todos os cristãos. Nela o autor faz uma rica exposição acerca da superioridade de Cristo. Certamente todos aqueles que almejam crescer cada vez mais no conhecimento da Palavra de Deus devem ler essa carta.


Neste resumido estudo faremos um panorama completo da Carta aos Hebreus, falaremos sobre as discussões acerca de sua autoria e conheceremos quem foram seus destinatários, também sobre seu contexto histórico e finalidades para a qual foi escrita.


Esboço da Carta aos Hebreus:


1. Cristo é superior aos anjos ( 1—2,18 )

2. Cristo é superior a Moisés ( 3—4,13 )

3. Cristo é superior a Aarão ( 4,14—7,28 )

4. Cristo é superior ao ministério sacerdotal ( 8—10,18)

5. Chamado a perseverar na fé ( 10,19—12 )

6. Conclusão ( 13 )


Autor, local e data:


Na verdade são imprecisos o autor , o local e a data da sua composição. As Igrejas do Oriente consideram-na sempre como uma Carta paulina, apesar de muitos reconhecerem as suas diferenças em relação às outras Cartas de Paulo, sobretudo no que se refere a forma literária, a linguagem e estilo, a maneira de citar o Antigo Testamento e mesmo quanto a doutrina. A Igreja do Ocidente negou-lhe a autoria paulina até ao século IV e pôs, por vezes, em questão a sua condição de escrito inspirado e canônico.


A questão continuou controversa ao longo da história da exegese católica, mas atualmente é quase unânime a negação da autenticidade paulina. No entanto, admite-se que a Carta aos Hebreus tenha tido origem num companheiro ou discípulo de Paulo, pois há vários pontos de convergência entre ela e a doutrina do Apóstolo – a paixão de Cristo como obediência voluntária, a ineficácia da lei antiga, a dimensão sacrificial e sacerdotal da redenção e alguns aspectos da cristologia. Trata-se sem dúvida, de um sermão cristão, cuja origem remonta à Igreja Apostólica e constitui, por isso, parte integrante da Palavra de Deus.


Há apenas um dado que pode apontar-nos para o de lugar de composição. Trata-se de 13,24, “ Os da Itália mandam saudações”. Mas trata-se de uma expressão que nada ajuda, por ser muito vaga e se prestar a várias localizações.


Quanto a data de composição, não pode aceitar-se uma época muito tardia, pois Clemente de Roma cita-a por volta do ano 95. Por outro lado, a relativa afinidade entre a sua teologia e a das Cartas do cativeiro ( Ef,Cl ), aponta para uma data próxima do martírio de Paulo, situado pelo ano 67. Uma vez que o autor se refere ao templo de Jerusalém como uma realidade ainda atual, tudo parece convergir para que os últimos anos antes da destruição do Templo, ocorrido no ano 70, sejam a data mais provável da sua composição.


Contexto Histórico:


A Carta aos Hebreus estabelece uma relação entre o Antigo e o Novo Testamento numa perspectiva cristológica. O tema central é o sacerdócio de Cristo e o culto cristão. A novidade é grande: uma pessoa, Jesus Cristo, Filho de Deus e irmão dos homens, é o Sumo Sacerdote superior a Moisés e comparável a figura misteriosa de Melquisedec.


Pela sua morte e glorificação, Ele é o mediador entre Deus e os homens; o seu sacrifício substitui todos os sacrifícios antigos, que já não têm capacidade para elevar o homem até Deus. Pela sua morte, Cristo realiza o perdão dos pecados uma vez por todas, estabelece uma aliança nova e eterna com a humanidade e inaugura um novo culto, imagem do culto celeste.


A Carta apresenta várias vezes a Igreja como povo de Deus a caminho, e os cristãos, como alguém que partilha o destino de Cristo e é convidado a entrar no seu repouso. Há um itinerário cristão a percorrer, que passa pela conversão, pela fé perseverante, pela aprendizagem da Palavra de Deus e por uma vivência da caridade fraterna.


O cristão é aquele que se une a Cristo através da sua própria existência e não deve separar o culto da vida.


Através de Cristo, o cristão oferece continuamente a Deus um sacrifício de louvor, no qual inclui toda a sua vida e particularmente o seu serviço aos outros e a sua caridade. Precisa manter-se integrado na comunidade cristã, escutar a Palavra e manter-se em comunhão com os responsáveis, pois não pode chegar a Deus sem estar unido a Cristo e aos irmãos.


A oferta de Cristo ao Pai “uma vez para sempre” ( ver 9,26.28 e 10,10.14) constitui o grande acontecimento escatológico. Por meio deste gesto histórico cumpriu-se o plano salvífico de Deus, embora continue a caminhada histórica da humanidade até a sua entrada na glória. Quando todos os inimigos forem submetidos a Cristo e for vencida a morte e todas as forças históricas, teremos então a realização do último ato da história salvífica.


Objetivo da Carta:


Crê-se que o objetivo do autor foi advertir os crentes judaicos para que não retornassem ao judaísmo, nem fizessem do cristianismo um seita judaica, nem procurassem transformar os convertidos gentios em prosélitos do judaísmo cristão. Para isto, o autor procura demonstrar a extraordinária superioridade do cristianismo sobre o judaísmo; Cristo foi superior a Moisés; a nova mensagem, melhor que a antiga; o sacrifício do Cordeiro de Deus tornou inútil os antigos sacrifícios, pois foi perfeito, definitivo, eficiente e suficiente. Quem já contempla e goza o real não pode iludir-se com o simbólico; quem tem o tipificado, já não precisa do tipo ou antítipo.


Certamente o autor conhecia bem o pensamento filosófico de seu tempo que, com grande probabilidade, influenciava os crentes helenistas de Alexandria, pois ele deixa transparecer a idéia de imagens arquétipas, originárias de tudo o que existe no mundo físico ou fenomenal, este mundo não é de causas, mas de efeitos; as causas estão fora dele em algum lugar no além. Igualmente, o judaísmo era apenas sombra ou imagem do real, projeção do eterno. Cristo é a realidade prefigurada nos símbolos ou tipos do Velho Testamento, que não passavam de “imagens” do real que estava no céu, e que se encarnou entre nós na pessoa do Verbo de Deus ( ver 9,24). O verdadeiro e perfeito tabernáculo é o celeste, o terrestre foi apenas figura dele, e como figura, teve falhas e foi transitório.


Em resumo, pode-se dizer que a Carta aos Hebreus ressalta que Cristo é superior aos anjos, a Moisés, a casa de Aarão e ao sacerdócio do Antigo Testamento. Também mostra que o próprio Antigo Testamento admite o caráter temporário dessas estruturas, de modo que a Nova Aliança não é de maneira alguma contaria a Antiga Aliança. Isso significa que recuar ao sistema temporário é voltar para algo inferior, desprezando a concretização da promessa já revelada em Cristo. Por fim, o autor faz um convite à perseverança até o fim em fidelidade a Cristo.


Considerações finais:


Para evitar que nos tornemos lentos na compreensão, escutemos a Palavra nas missas dominicais. Com os olhos fixos em Jesus que abraçou a Cruz, sigamo-lo, carregando a sua humilhação, saindo fora do acampamento, onde está o altar com as carnes da verdadeira vítima. Dessa forma, o nosso coração não endurecerá, evitaremos decair e abandonar tudo, nossa fé não esmorecerá e herdaremos a salvação


Bibliografia:

-- Bíblia Pastoral, edição 2014

--Bíblia Jerusalém, edição 2011

-- Livro “Chave para a Bíblia” de Wilfrid J. Harrington, OP

-- site Aleteia.org

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